Nos primórdios da minha adolescência (faz tempo hein), as meninas queriam ser descoladas. Eu por minha vez, era exatamente o oposto de uma adolescente cool. Eu usava as calças da minha irmã (meu manequin era 36 e o dela 42, imaginem), com um cinto de couro falso horrível, e para arrematar amarrava aquele casaquinho de lã (da vovó) na cintura (sim, não queria ninguém olhando minha bunda, ou a falta dela). Até os 17 anos eu me recusava a usar sutiã (jurava que não tinha peitos e não precisava) e ia pro colégio com uma blusa pólo (tamanho G) me engolindo, tênis olympikus tamanho 39 (hoje em dia a moda é Nike), calça da mana e casaquinho da vovó na cintura, sempre (não é de se estranhar o fato de nunca só ter beijado na boca aos 17 anos, Bruno saved me).
Eu era magérrima. Daquelas meninas que cresceram ouvindo: cuidado com o vento senão você vai voar, ou se você preferir: Olha a Olívia palito. Entonces conseguir a popularidade no 2° grau era algo inatingível.
Todas as meninas populares e descoladas da minha sala, sempre andavam de saia (e quanto mais curta melhor), enquanto eu parecia uma cópia do meu pai (no jeito de vestir).
9 anos (3 números de manequim e 15 Kg a mais) me separam da garota magra e pálida do colegial (OK, eu continuo pálida). Em toda a minha vida, se usei saia umas duas ou tres vezes foi muito. Vestido então, vixe, só no meu casamento, no casamento da minha mana (que fui madrinha), na gravidez e algumas outras festividades. Mostrar minhas pernas finas e brancas me dá pavor. Eu tenho um certo trauma com saias desde os 20 anos, quando trabalhava. Um belo dia resolvi comprar uma saia jeans (super descolada) e apareci no trabalho com as pernas de garça, de fora. Meus colegas que não podiam perder uma piada, começaram a falar que minha perna era fluorescente. Pronto, estava feito o estrago, eu decidi daquele dia em diante, nunca mais usar uma saia.
E vivi muito bem usando calças o tempo todo. Eu adoro o conforto do jeans. Posso subir escadas sem me preocupar se algum pervertido está espiando por baixo, e posso cruzar as pernas sem medo de parecer a Paris Hilton mostrando a calcinha. E claro, mantenho as pessoas longe da cor fluorescente das minhas pernas pálidas (meus colegas diziam que a claridade poderia cegar).
Mas ontem tudo mudou. Eu decidi sair do enclausuramento diário que eu e Bryan vivemos, para passear um pouquinho na rua e ele poder andar em seu carrinho com mais liberdade. Até ai tudo bem, um típico retrato da família brasileira, se... se não fosse eu ter tido a péssima ideia de usar uma saia, 9 anos depois do fatídico dia na loja. Peguei minha saia de jeans (a única que eu tenho) e sai na rua me sentindo a mãe mais cool do universo.
No começo foi fácil, era só ficar sentada de ladinho (para não correr o risco de aparecer nada) e observar o pimpolho andar no carro. A saia não era muito curta, mas como as minhas pernas são enormes, tudo o que eu visto fica parecendo curto (a menos que eu use uma saia nos pés ou no joelho) Mas como a lei de murphy me persegue, meu filho tinha que cair, justo no dia em que eu resolvo utilizar uma saia. . E ele me cai bem no vão que tem entre o espaço onde ele senta e os pedais do carro. E ficou lá com aquela carinha de: - Mãe, o que você está esperando para me salvar?
Eu não podia esperar ele se levantar, então decidi salvar meu filho, com a mão na parte de trás da saia (para não aparecer nada) e tentando levantá-lo com uma mão só. Pensem no desastre. Por fim, desisti de tentar proteger a retaguarda (nessa hora eu dei graças a Deus por usar calcinhas de vovó), e levantei o Bryan com as duas mãos, e logo olhando para trás, para me certificar que nenhum maníaco ficou observando.
Para meu alívio, ninguém viu a cena (ainda bem) e eu voltei imediatamente para casa, me livrando da saia, e colocando o meu bom e velho (e super confortável) jeans.
Se ser cool significa usar uma saia, eu definitivamente desisto. Acho que o mais perto de cool que eu já cheguei foi usar all star cano alto com bermuda e platinar o cabelo (bons tempos aqueles).
Acho que o fato de ter um filho já me torna cool (ou assim eu prefiro acreditar) e daqui pra frente viva a calça de moleton para passear com o filho pelo bairro.
Bjos
Formatura do João Vitor.
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Foi sem dúvidas um dos dias mais felizes das nossas vidas ver nosso menino
se formando no ensino médio. Foi com muita luta, dias de glória mas també...
Há 7 meses
